Era uma vez…

Atenção: O texto abaixo contém spoilers!

… uma ótima mini-série chamada The Kill Point. Ela já estreou com data de validade (o que seria um ponto positivo), pois possui apenas oito episódios, e com muita estória para contar.

 

 

 

O seriado é sobre um grupo de ex-militares americanos que decidem assaltar um banco para conquistarem o famigerado “american dream”, que lhes foram privados quando estavam em combate no Iraque.

 

 

 

Quando tudo encaminhava para um roubo bem sucedido, já de fora do banco, a policia chega e assim dificultando a vida dos “bandidos”. O que seria um roubo rápido toma proporções absurdas e se transforma numa situação com reféns. A pressão da imprensa no local, a responsabilidade de lidar com os “bandidos” e ainda ter seu chefe questionando todos seus movimentos, não interferem no ótimo trabalho realizado pelo negociador Capt. Horst Cali, interpretado otimamente pelo ex-New Kids on the Block Donnie Wahlberg. Do outro ladro está o experiente John Leguizamo, que incorpora com excelência o ex-soldado de guerra Capitão Jake Mendez ou Mr. Wolf, como gosta de ser chamado.

 

Inicialmente parece que veremos um duelo de titãs. São dois personagens com características fortes e bem sucedidos (para não falar gênios) no que fazem. Mas como toda relação tem um desgaste, ao longo dos episódios à negociação entre os dois se transforma em algo repetitivo e monótono. No meio da temporada, quando a série precisa continuar viva para não perder o interesse do telespectador, ela se perde. Em nenhum momento The Kill Point foi pretensiosa o bastante para tentar realizar o roubo perfeito, ainda mais após Spike Lee revitalizar o gênero com o primoroso O Plano Perfeito. Pelo contrário, o roubo era apenas um pretexto para o que estava por vir. Claro, o dinheiro era o objetivo principal, mas não só. Ela então aborda o assunto preferido dos americanos: começam criticar o atual governo americano e a narrativa toma tons políticos.

 

Mr. Wolf, vendo que a imprensa está toda ali e vários outros ex-soldados de guerras, começa então seu showzinho particular. Ele protesta várias coisas, entre elas uma lei que obrigue o alistamento dos filhos dos senadores seja aprovada. Com isso, os ex-soldados que ali estão o aclamam e por incrível que pareça, sua causa ganha força. O ataque ao governo Bush se torna uma variável indispensável dentro do show. Passada a parte política, a série começa a humanizar mais seus personagens e os motivos pelo assalto ficam mais claros, e começamos a ver a causa do Mr. Wolf com outros olhos.

 

A relação entre os assaltantes e os reféns são os mais clichês possíveis. Em uma oportunidade eles se rebelam e tomam o controle da situação, mas só por alguns minutos. A ultima jogada do plano dá errado quando uma bela moça não consegue atirar nos agressores. Tem até uma refém que desenvolve Síndrome de Estocolmo, quando começa a se engraçar e se apaixonar pelo Mr. Wolf. É o típico amor proibido dos filmes da Sessão da Tarde. Em alguns momentos a série atinge uma carga dramática respeitável a ponto de te deixar com um nó na garganta. São realmente muito bons, mas se perdem ao meio de tantos momentos bizarros e mal feitos. No episódio final eles até conseguem sair do banco e, do grupo de cinco ex-militares, apenas um consegue escapar com vida após uma perseguição. E não foi o Mr. Wolf.

 

No geral, The Kill Point não foi ruim, mas também não foi nada, nada demais. Acredite, mesmo com oito episódios o show ainda conseguiu fazer cera e tiveram pelo menos dois que não contribuíram em nada a trama central. Ela veio e foi sem acrescentar absolutamente nada e nem foi marcante o suficiente para ficar gravada na memória do telespectador. Isso se deve ao tema que já está tão saturado que provavelmente não veremos mais nada do gênero nos próximos anos. O download vale mesmo pelas atuações de John Leguizamo e Donnie Wahlberg, que atingiram a ápice de suas carreiras.

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